Degradante pra você, pra mim é o máximo!

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Ser mulher é degradante pra muita gente.

Quer ver?

O cara que é gay e ‘afeminado’, é o quê? Bichinha, viadinho, mulhezinha.

A mulher que é lésbica e curte usar umas roupas mais frouxas, tal; é o quê? Sapatão, é vulgar.

Ainda é como se esses papéis tivessem que ser estáticos, não dinâmicos, como é o que somos. Dinâmicos.

Mas não perdemos o costume de rotular e tem mais: ou é isso, ou aquilo; mais de um não dá pra ser, não deve ser.

Meu Deus! Quanta besteira!

Se o cara está afim de usar roupa colorida, falar com voz fina, andar rebolando, é com ele. Ele não é menos homem! Isso de mulherzinha me incomoda.

É só mulher que pode ‘dar’ vocês sabem o quê?!

É só mulher que pode ser doce, delicada, meiga?!

E nós mulheres temos obrigação de sermos delicadas, fofinhas, meiguinhas? Tudo no mini, no comportado, no domesticado e dominado?

Eu sou mulher por várias questões e respostas que vão e são além da biológica.

Reparei que brincar chamando um homem mais atencioso, que lava louças, que lava roupas, que sabe cozinhar de viado, não é brincadeira por brincadeira. É perpetuar um preconceito, é continuar de forma sutil o machismo presente em nós.

Ele não é menos homem por fazer tarefas ditas femininas.

E nós não somos menos mulheres por usarmos calça, bermuda, camisa de botão…

Não duvido que haja papéis exclusivos para mulheres e para homens, mas acredito na possibilidade deles não serem os únicos definidores do que é ser um e outro.

Homens podem lavar roupas, mulheres podem entender de carros. Chega dessa conversa fiada que o mundo de um não deve se misturar com o do outro.

Eu não sou menos mulher por entender de fiação e nem por pedir que um homem troque a lâmpada.

Divisão de tarefas não implica um muro entre mundos e nem uma definição eterna do que cada um deve fazer. Menos ainda que um é inferior ao outro.

Eu tenho orgulho de ser mulher e de ser nordestina. E acho o máximo.

Mas não vou sair por aí falando “Deus que me livre de ser homem!”. Os dois lados têm vantagens e desvantagens.

E eu, sendo mulher uso esse blog pra falar de algumas desvantagens que fazem com que mulheres sejam mortas, violentadas, estupradas. E como agir contra esse tipo de atitude.

 

 

 

Ano novo, pensamento novo!

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Eu vi um filme que vai contra a maioria dos contos de fadas.

Esse filme fala da história de uma garota que nasce com um nariz de porca porque foi amaldiçoada.

Explicando melhor, seu tataravô não casa com uma mulher por ela ser de classe social inferior e ela o amaldiçoa. As mulheres nascidas dessa família nasceriam com uma aparência terrível e só seriam libertas quando fossem aceitas por um de sua estirpe.

Pois bem, pra infortúnio de Penélope ela é a primeira mulher a nascer depois de gerações…

Como a única maneira dela ser liberta é sendo aceita por um deles, o que não falta são tentativas da mãe em fazer com que os caras mais ricos conheçam sua filha e casem-se com ela; mas ao vê-la todos fogem.

Papo vai, filme vem, ela que vivia trancada em sua mansão decide sair mundo a fora e viver; mesmo com um nariz de porca, nada que um apetrecho feminino não resolva.

Lógico que ela está apaixonada por um carinha que não sai correndo ao vê-la. Lógico que ele é muito charmoso e boêmio, mas isso não importa agora.

Apesar de ter vivido fora dos muros de sua segurança, apesar de ter se apaixonado e não ter sido correspondida Penélope decide ouvir sua mãe e resolve se casar com um riquinho.

Minutos antes, num momento de epifania a garota percebe que gosta de si como é, que se aceita como é e BUM! ela deixa de ter aquele nariz que tanto a incomodava.

Ah se ela soubesse que ‘aceita por um deles’ não era como haviam pensado…

O filme continua e a garota vai até o cara que ela se apaixonou e que fugiu não por medo da aparência dela, mas por acreditar não poder libertá-la.

Ao se encontrarem ele lamenta não poder salvá-la/libertá-la e ela mostra o rosto e diz a melhor frase do filme: “Eu pude”.

Ok, contei o filme. Perdoem-me. Era preciso.

Somos ensinadas a esperar pela salvação dos nossos príncipes…

Quantas animações mostram as mulheres (princesas) esperando pelo seu príncipe para serem felizes, para serem aceitas, para começarem a viver?!

Penélope chama a atenção e cativa porque ela se ama, se aceita!

Eu sei, somos ensinados a agirmos para sermos aceitos, para sermos aprovados, na vida, no vestibular, no namoro, nas relações familiares… Mas gente, tem coisa melhor que se amar e se aceitar?!

Quando eu digo aceitar não significa estagnar, não querer mudar o que dá pra mudar. Significa não esperar pelo príncipe, não esperar por ninguém pra fazer a diferença.

MULHERES, LIBERTEM-SE!!!!

Antes de sermos felizes com alguém, é mais que útil, é necessário e bom ser feliz consigo! E nós temos capacidade e autonomia pra isso.

Não quero com isso dizer “vivam sozinhas!”, de modo algum. Eu seria hipócrita a falar isso, afinal tenho namorado e penso em casar com ele.

Quero dizer que é possível se amar, se aceitar, sair sozinha, conhecer o mundo e nem por isso se achar a mais miserável das mulheres por não estar num relacionamento e nem ter o seu príncipe.

Tenha em mente que o príncipe da sua vida é você!

É esse pensamento novo que eu desejo a todas as mulheres.

Que a autonomia seja uma constante e que por isso mesmo os relacionamentos sejam mais saudáveis e as pessoas mais felizes.

Sou daquelas que acredita que felicidade tem que ser partilhada, assim como a vida. Mas aprendi que de nada adianta isso se eu não me aceito, se pra me aceitar eu preciso primeiro ser aceita por outras pessoas, pelo meu príncipe principalmente.

Vamos abrir a mente, focar o olhar e perceber que não devemos criar nossas filhas como se elas precisassem ser resgatadas por lindos príncipes pra ser felizes.

E que antes de criar nossas filhas, recriemos a nós.

Eu sei que esse texto parece auto-ajuda, mas eu também sei que ajuda à parte, é preciso acabar com o machismo existente.

Não é paranoia falar dos contos de fadas, menos ainda da autonomia e nem do se aceitar.

Quer violência maior do que o cara que você ama dizer que você não é capaz?! Isso deixa inúmeras mulheres arrasadas. E elas acreditam não porque são burras, não porque são fracas. É o cara que ela escolheu pra viver com ela, que convive com ela há tempos, que sabe que ela prefere café ao invés de leite pela manhã; e ele diz incontáveis vezes. É uma lavagem cerebral.

Então, não me falem em paranóia.

Adoro animações, mas nem por isso me deixo levar por essa história de princesa que precisa de príncipe. Ainda mais se ele for um sapo antes… Nem todo sapo beijado vira príncipe.

Mas toda mulher é capaz de se fazer feliz antes de dividir suas alegrias e tristezas com um homem ou com uma mulher.