Duas Coisas

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Bom gente, hoje meu post vai ser um pouco diferente.

Primeiro tem um vídeo que eu gostaria de saber a opinião de vo6 que visitam o nosso blog.

http://www.youtube.com/user/canalparafernalha#p/a/u/0/mV3IR94zXac

o vídeo é de um senhor falando acerca das feministas. As opiniões de vo6 pautarão meu post da semana que vem.

A segunda coisa é sobre algo que acontecerá hoje… as 15 hs, na praça do ferreira.

Hoje, 28/09 é o dia Latino-americano de Luta para Legalização do Aborto, o Fórum Cearense de Mulheres (FCM), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), a Central de Movimentos Populares (CMP) e outros grupos e coletivos de mulheres realizam um ato público na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza. A batucada Tambores de Safo (que eu faço parte) se fará presente.

Bom, eu não poderei acompanhar o ato por conta por alguns problemas que venho passando, nada mt sério.

Ah, em um outro post posso falar um pouco sobre a questão do aborto.

Ellen Souza

Mudando o foco

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Quando um episódio de violência contra a mulher se torna público é comum que os olhares se voltem para o número crescente de mulheres assassinadas. A leitura divulgada pela mídia leva ao questionamento da efetividade da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e da rede de serviços de enfrentamento à violência contra a mulher existentes no país.

Questão frequente é “Se a Lei Maria da Penha é tão eficaz, por que não se vê redução no número de mulheres assassinadas?”. Essa visão superficial pode levar as mulheres, já fragilizadas pela situação de violência vivida, a ter medo de denunciar por desacreditar na eficácia da Lei e do sistema judiciário brasileiro.

Mas é preciso saber que, embora o número de mulheres assassinadas seja crescente, o número de mulheres que denunciam é maior, importante e significativo.

Significativo pois mostra que as mulheres têm coragem para dar um basta à violência sofrida e importante porque a Lei é capaz de ampará-las, pois traz consigo os instrumentos necessários para superar essa realidade: punição aos agressores, criação de juizados especializados e afirmação da necessidade de políticas públicas que se voltem para a organização e fortalecimento das mulheres.

Temos o hábito de enfatizar o lado negativo das coisas. Nos meios de comunicação a quantidade de notícias ruins é muito maior do que de notícias boas. No que concerne à violência contra a mulher não é diferente. É preciso ressaltar os avanços das políticas públicas e das ações de grupos de mulheres no enfrentamento a essa violência.

Os Centros de Referência – como parte das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres – são locais onde as mulheres são acolhidas, atendidas e orientadas por outras mulheres, e, sobretudo, fortalecidas para por fim às histórias de opressão. Com isso é possível afirmar a efetividade da Lei, a eficiência das políticas públicas para mulheres, bem como a ação das mulheres por um mundo sem violência e livre do machismo e da opressão.

Que o seu desejo não me defina…

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Bom, pensei bem se deveria postar isso, mas creio que é algo que merece ser pautado.

Ontem acordei com uma preguiça imensa, e como acontece quando acordo dessa forma, coloquei um vestido (que dá menos trabalho) e saí. No geral, quase nunca uso vestido, só em dias de extrema preguiça… Sempre saio com uma bermuda, camiseta e piercing combinando, as vezes uma faixa no cabelo. Bem na linha “bulacha” mesmo.

Bem, tava eu lá com o tal vestido, peguei o ônibus e coincidentemente ou não, senta ao meu lado o cara que estava fazendo as caipirinhas na festa que eu fui esse fim de semana… o tal cara começa a conversar comigo aí ele solta a frase que eu vou lembrar pro resto da minha vida: Naquele show só se salvavam vocês (eu e uma amiga) o resto era tudo veado e sapatão… LOOOOOOUCA QUERIDA A SENHORA!!! e ele tava se jogando lindo pra mim. Aí eu pensei, “a ellen, besteira… ele tá te tirando”.

Então fui pra minha aula e quando subo no ônibus novamente… eis que me surge um cara belíssimo, o “numero” de um montão de amigas minhas, senta ao meu lado com várias cadeiras vagas no ônibus e me oferece uma programação do BNB  e puxando assunto.

Ahn??? Alôu… desculpa… gosto não… MEDO.

Achei isso muito engraçado, não que eu não seja bonita a ponto de despertar a atenção dos homens (acreditem eu sou, bonita e narcisista também), mas como uma roupa pode interferir na forma como vc é vista. Isso me relembrou um evento ocorrido na minha adolescencia, eu me vestia com umas calças largadas, blusas babylook… allstar e um dia fui convidada pra receber uma premiação de poesia no Náutico. A preocupação de todos era a forma como eu ia aparecer, e eu apareci lindamente num longo, salto e maqueada.  todo mundo ficou passaaado. Os menininhos da escola, todos me desejavam.

Enfim, o que eu quero dizer com isso tudo é que me incomoda saber que sou definida a partir do desejo que desperto no outro. isso me inquieta, me faz pirar. Meu amigo, o fato de eu ser lésbica, não me faz perder minha feminilidade e se eu ando de vestido na rua e você tem tesão… baby o problema é seu, isso não quer dizer que você vai me ter. Desculpa, tá.

“O que eu desejo é que o seu desejo não me defina”. Ellen Oléria (Antiga Poesia)

Ellen Souza

Desaforado é quem diz isso!

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“O homem não bate na mulher, bate no desaforo dela”.

Essa frase é um absurdo e o mais irritante é que ela está na cabeça de muita gente.
NADA justifica a violência contra a mulher.
E pra quem não sabe violência contra a mulher não é só tapa, murro, pontapé, beliscão, mordida.
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) define a violência doméstica e familiar contra a mulher como “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial” (artigo 5º).
Apesar de muito se falar nessa Lei, ainda é grande a quantidade de pessoas que continuam sem saber sobre ela, sobre o que é violência doméstica e sexual contra a mulher, sobre os direitos das mulheres.
As pessoas precisam saber que violência não é só violência física, precisam saber que não somos o sexo frágil, que não somos coitadinhas, precisam saber que já conquistamos muitos direitos e queremos poder exercê-los plenamente, precisam saber muitas coisas sobre violência de gênero;  a começar por saber que NADA justifica a violência contra a mulher. NADA.

Rute.

Indo pro mercado (de trabalho), não pro supermercado…

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Muita gente sabe que quando se trata de profissão eu posso dizer que já passei por várias, tem isso inclusive na minha descrição aqui do blog. Em alguns ganhei menos, em outros ganhei mais, mas a questão é que mesmo trabalhando no mesmo cargo que outros caras, inclusive na mesma empresa, eles ainda ganhavam mais que eu. E qual será o motivo???

Ok, vamos por partes. É sabido e notório que as mulheres ainda recebem salários inferiores, mesmo desempenhando as mesmas funções que os homens, Não adianta negar, tá no Jornal Nacional, nas estatísticas das pesquisas, para quem quiser ver! Eu mesma já trabalhei numa empresa na qual eu ganhava muito menos da metade que um cara, que fazia a mesmíssima coisa que eu, ganhava! E tendo já trabalhado em outros cargos ditos “masculinos”, afirmo com conhecimento de causa que sim, ganhava menos que eles. Se isso me indignava? CLARO!!! Se fiquei quieta, calada, simplesmente aceitando o fato? NÃO MESMO!!! Digo com orgulho que nunca fui demitida na vida, sempre pedi demissão de todos os empregos que tive, afinal, ganhar pouco é foda… Ganhar menos que seu colega de empresa só por que você é mulher é mais foda ainda. E ainda por cima ter de aguentar assédio de chefe, takeopariu né???? Sem comentários…

Daí, outro dia conversando com a Rute, ela me falou de um livro sobre essa questão do feminino e da mulher na sociedade, me mostrou uma citação que gostaria de expôr aqui para vocês:

“A discriminação não é a razão de as mulheres ganharem menos dinheiro que os homens. As mulheres é que fazem escolhas diferentes e têm diferentes prioridades, e isso resulta no fato de ganharem menos.” Carrie L. Lukas (cretina!), no seu livro Mulher sem culpa.

COMO ASSIM UMA MULHER VEM E DIZ UM NEGÓCIO DESSES????

Mas o que surpreende é ver esse tipo de visão preconceituoso de que “as mulheres ganham menos por que tem outras prioridades” vindo de uma mulher, sabem? Qual a prioridade das mulheres então? Casar, parir uma penca de filhos, ir ao supermercado, pagar contas, fazer comida, e, nas horas vagas, trabalhar? Quer dizer que por chegar tarde às vezes por ter ido deixar o filho na escola, ou ter de sair mais cedo por que a filha tá doente, isso me faz perder o direito de ganhar um salário igual ao de um homem? Só por que ele “teoricamente” não cumpre nenhum desses tipos de obrigações? A questão aqui é o fato de que, se meu filho está doente, vou sair mais cedo pra leva-lo ao médico, e por isso vou ganhar menos. Isso tá certo? Que lógica é essa, alguém me explica?

Eu sou solteira, não tenho filhos, minha prioridade é me formar na minha segunda faculdade, terminar minha pós-graduação e me preparar para um mestrado. Isso não deveria me habilitar a ganhar mais então? E pior que eu até posso ter um salário melhor, mas só se comparado a outras mulheres com mesmo nível de escolaridade que eu. Vai ter muito marmanjão aí que mal terminou a faculdade – SE tiver terminado – ganhando mais do que eu. Daí me pergunto: pra que me matar de estudar, pra que buscar me aprimorar tanto academicamente??? Vou ganhar menos do mesmo jeito…
Mas então realizo que pensar dessa forma é quase como confirmar que eles estão certos, é dar munição pra que os chefes continuem agindo dessa forma. E AS CHEFAS também, por que é muito triste ver que muitas empresárias fazem o mesmo com suas funcionárias. Como se a capacidade, a competência estivesse entre as pernas, não na cabeça…

Lua Santos

Quem conta a história???

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“Existe um princípio bom que gerou a ordem, a luz e o homem;
há um princípio mau que gerou o caos, as trevas e a mulher”
Pitágoras
O que acontece? Estava eu me questionando acerca disto. Desde a antiguidade as mulheres são consideradas inferiores aos homens… somos consideradas o parasita do cocô do cavalo do ladrão…
Quem foi responsável pela liberação de todos os males na terra? Pandora!
Quem seduziu Adão o fez comer do tal do fruto proibido? Eva!
Para alguns autores da idade média, é desperdício que mulheres estejam nas escolas…
Acontece, que só vemos este tipo de pensamento, é isso que é estudado… porque? porque? porque???
Alguém chuta?
É simples, a história foi escrita pelo homem, sempre lemos a história contada do ponto de vista do opressor, nunca do oprimido…
existiram pensadoras na antiguidade, várias, muitas… Safo de Lesbos, Diotima, Hipatia, Hiparquia… mas num sou eu que tou dizendo não. Pesquisa aí no wikipedia, no google.
Nós também fazemos história, nós também pensamos, nós também construimos o saber…
Então meu amigo, não me venha com essa que lugar de mulher é na cozinha, que mulher é burra, porque certamente você (como o Pitágoras) já teve uma professora que te ensinou alguma coisa importante, vc só esqueceu disso.

Não é questão de ter privilégios. É questão de ter direitos iguais. Dá licença?!

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Para equilibrar o mundo a enorme parcela feminina da população precisa estar nos processos decisórios. Não é possível uma democracia em que mais da metade da população não participe.” Gleisi Hoffman – Chefe da Casa Civil

Nem que a gente fosse 0,00001% da população, a gente tem mais é que participar dos processos decisórios minha querida! Eu sei, ela não disse por mal, mas antes que alguém se meta à besta de fazer uma piada, estou aqui dizendo o que é fato: nem que a gente fosse tipo, dez mulheres no mundo todinho, a gente tem TODO o direito de participar e não só nos processos decisórios.

A gente tem que participar da história, do mundo, da gente, do dia a dia, das mulheres, da mulher.

Fico indignada com a capacidade mental limitada de certas pessoas.

Mês passado aconteceu a III Conferência de Políticas Públicas Para Mulheres1 e ouvi umas pessoas – preste atenção eu escrevi pessoas e não homens. Entendeu, né? – comentando que não era admissível que os homens não tivessem participado. Eu fico realmente chateada com isso.

Primeiro: homens poderiam assistir aos debates e às oficinas e foi o que aconteceu. Sim, alguns homens apareceram.

Segundo: eles OBVIAMENTE não tinham poder de voto nas decisões. Óbvio, a conferência era para e das mulheres, que diabos eles queriam se metendo? Quem sabe o que a gente quer e o que precisa é gente. Vão passear!

Terceiro: tenho certeza que se fosse uma conferência para políticas para os homens ninguém tinha achado problema algum em não ter a participação feminina; a não ser as próprias mulheres.

Isso me chateia mesmo porque a gente vive tendo que pedir licença pra falar, pra ter direitos, pra ser ouvida e quando a gente se reúne vem logo gente falar besteira.

Eu sei, nem todo mundo tem o cérebro prestando pra algo decente.

Mas me chateia mesmo porque tem mulher dizendo esse tipo de asneira por aí!

Não tenho raiva de homem, mas dá licença – ó lá a gente tendo que pedir licença – que porque eu sou a mulher aqui e eu sei que posso e devo lutar pelo que é meu de direito? Se estou lutando é porque há essa necessidade; é porque a sociedade machista e opressora que vivo me faz ter que dizer “Ei, peraí que não é pra ser assim!”.

Eu não sou coitadinha, mulher nenhuma é. Menos ainda os homens.

Ah, eles não puderam votar? Que pena!

Quanto tempo mesmo a gente ficou sem poder votar?

Quanto tempo faz que a gente luta pra ter os mesmos direitos que os homens?

Definitivamente não é vingança.

É como eu escrevi há pouco, quem sabe o que diz direito à gente é a gente. Eles já mandaram demais nos nossos direitos. Vão passear!

E quem sabe nesse passeio vocês encontrem algo que os faça perceber que nós vamos sim continuar nessa luta até a igualdade chegar.

Sim perceber, porque querer que vocês mudem a mentalidade ainda é querer demais. Afinal é uma limitação mental, né?

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1 Conferência realizada pela Coordenadoria de Políticas Públicas Para Mulheres e Sociedade Civil. O que? Você não sabia que existe uma Coordenadoria dessas? Procure se informar. Vale a pena.

Rute Aquino.

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